para R., ainda em nós e B. que me acompanha
desistir seria difícil não fossem as palavras. e é no silêncio que elas gritam e rasgam a pele da garganta e ardem o céu fora de sangue e de nada.
palavras encravadas nos dentes, prontas para morder a carne do pêssego ancestral. querem alcançar a luz diuturna, imersas na noite eterna – na sua profunda solidão de profeta no deserto.
lançadas ao nada, cada uma venta segredos contados a ninguém, a ouvidos mortos que sustentam a coluna da mulher natimorta – flor do pessegueiro.
o homem come a fruta. morde sua carne como quem canta.
canto de morte.
o canto é a promessa da perfeição – que nunca chegará. mas o homem espera. e morde a carne amarelada e canta e morre e ama.
: amor mais impossível que a vida
e morrer torna-se absurdo, mais ainda que amar, maior ainda que viver. e o homem sulca seus dentes naquela carne de morte e amor.
a carne mais feminina que seus dentes pôde acariciar.
o homem é um animal faminto. o cheiro da carne abraça toda a extensão rija de seu corpo - e ele ama a carne como a mãe viúva seu unigênito.
os dentes atacam com ódio erótico a carne. a carne pornográfica. a carne mulher-alaranjada.
e que palavras rosna o homem no momento de sua dentição sexual? e o homem avança violentamente os odores da carne. quer morrer daquele e naquele aroma. morrer naquele amor.
ele come grunhidos masculinos, ilegíveis – violentos.
ele come a violência daquela carne.
a carne – deixa-se amar, dando voz àquela mudez a mais solitária do mundo.
(e a palavra se faz nascente de amor)
palavras encravadas nos dentes, prontas para morder a carne do pêssego ancestral. querem alcançar a luz diuturna, imersas na noite eterna – na sua profunda solidão de profeta no deserto.
lançadas ao nada, cada uma venta segredos contados a ninguém, a ouvidos mortos que sustentam a coluna da mulher natimorta – flor do pessegueiro.
o homem come a fruta. morde sua carne como quem canta.
canto de morte.
o canto é a promessa da perfeição – que nunca chegará. mas o homem espera. e morde a carne amarelada e canta e morre e ama.
: amor mais impossível que a vida
e morrer torna-se absurdo, mais ainda que amar, maior ainda que viver. e o homem sulca seus dentes naquela carne de morte e amor.
a carne mais feminina que seus dentes pôde acariciar.
o homem é um animal faminto. o cheiro da carne abraça toda a extensão rija de seu corpo - e ele ama a carne como a mãe viúva seu unigênito.
os dentes atacam com ódio erótico a carne. a carne pornográfica. a carne mulher-alaranjada.
e que palavras rosna o homem no momento de sua dentição sexual? e o homem avança violentamente os odores da carne. quer morrer daquele e naquele aroma. morrer naquele amor.
ele come grunhidos masculinos, ilegíveis – violentos.
ele come a violência daquela carne.
a carne – deixa-se amar, dando voz àquela mudez a mais solitária do mundo.
(e a palavra se faz nascente de amor)
1 comentários:
\O/
Postar um comentário